Neurocirurgia funcional

Cirurgia para Doença de Parkinson: quando se deve operar?

Devemos considerar a cirurgia para Doença de Parkinson nos seguintes casos:

(i) a qualidade de vida comece a se deteriorar, apesar do uso dos medicamentos;

(ii) as complicações do uso dos medicamentos aparecem. As principais complicações são as Discinesias (movimentos involuntários após uso de medicamentos) e a flutuação motora (quando o efeito da medicação passa a ser curto e imprevisível);

(iii) o paciente apresenta tremor que não melhora com os medicamentos;

(iv) o paciente não tolera os efeitos colaterais dos medicamentos.

A discussão sobre cirurgia se inicia após 5 a 9 anos do início das medicações. Neste momento, o tratamento clínico começa a perder eficácia e as suas complicações se iniciam. A cirurgia para Doença de Parkinson deve ser discutida como uma forma de se preservar a qualidade de vida.

Entenda os tipos de cirurgia para a Doença de Parkinson

Existem 2 tipos de cirurgia. No primeiro tipo, realizamos uma lesão precisa em uma pequena região do cérebro. Nossa equipe relatou bons resultados com lesões aplicadas sobre uma região do cérebro chamada campo H de Forel (Referência do artigo Campotomia). O segundo tipo de cirurgia é a estimulação cerebral profunda (também chamada de DBS – sigla de Deep Brain Stimulation). A estimulação é realizada através de 2 eletrodos implantados no cérebro, os quais transmitem uma corrente elétrica gerada por um marca-passo. Temos ampla experiência com a estimulação do Núcleo Subtalâmico, do Globo Pálido Interno e do Tálamo (Referência do artigo DBS). Além disso, desenvolvemos pesquisas visando avaliar novos alvos (Referência artigo Forel DBS).

A estimulação cerebral profunda (ou DBS) é a técnica realizada com maior frequência na atualidade. Porém, a escolha da técnica depende de uma série de fatores clínicos.

A Cirurgia para Doença de Parkinson substitui as medicações?

A cirurgia não substitui o tratamento medicamentoso, mas o complementa. Após a cirurgia, o paciente ainda continua sob medicação, porém em doses menores. A tendência moderna de se associar a cirurgia às medicações permite ao paciente obter o melhor daquilo que a Medicina pode oferecer.